O nome disso é como mesmo? Bolg, isso, blog. Bom, enfim, eu nunca tive um desse. Na verdade, me lembro que quando pequena ganhava daqueles diários de cadeado, sabe? Já teve um? Então, mas nunca escrevia absolutamente nada. Às vezes até tentava fazer de agenda, mas taí outra coisa que não sei usar. Esse negócio de organizar a vida é complicado, os pensamentos... ih! Nem digo!
Agora, eu te pergunto: pra quê isso? Não sei, mas pra não perder a viagem vai aí uma passagem de um livro bacana:
"Pois então deixa eu dizer que o doido que existe em mim é o responsável pelas emoções mais puras que a vida me deu. Foi ele, este monstro oligofrênico de olhos cintilantes e cabelos desgrenhados, que um dia saltou dentro de mim e gritou basta! Num momento em que meus ser civilizado, bem penteado, bem vestido e ponderado dizia sim a uma injustiça. Foi ele quem amou e se apaixonou e possuiu a mulher e lhe fez filhos. Foi ele quem sofreu quando jovem a emoção de um desencanto, e chorou quando menino a perda de um brinquedo, debatendo-se na camisa de força com que os mais velhos procuram conter o seu protesto. É ele que dorme dentro de mim o seu sono cheio de pesadelos, pronto a despertar a qualquer momento para reivindicar o direito de ir aonde levem os seus passos e fazer ouvir o som inarticulado de suas palavras. Este ser engasgado, contido, subjugado pela ordem iníqua dos racionais é o verdadeiro fulcro da minha verdadeira natureza, é o cerne da minha condição de homem, herói e pobre-diabo, pária, negro, judeu, santo e débil mental, soldado raso submetido ou beneficiado pela hierarquia dos privilégios, escravizado à férrea disciplina das conveniências, mas que um dia há de rebelar-se, enfim liberto, poderoso na sua fragilidade, terrível na pureza da sua loucura ao descobrir enfim que nunca fui nem serei coronel." - De "O falso coronel", Fernando Sabino. Retirado do livro "Deixa o Alfredo falar!"
Então, deixa.
sexta-feira, 16 de novembro de 2007
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