segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Mudez

Me deixe muda. Eu disse e ele deixou. Agora eu ando tão mudada. Se bem que continuo bebendo meu café com quatro gotas de adoçante todas as manhãs. As mesmas manhas e manias minhas. Eu ando até tentando emagrecer. Eu lembro exatamente de como era sua voz. Nem fina nem gossa nem leve nem suave nem bonita nem feia. Me lembro. Era uma voz assim como aquela firmeza vá-cilada. E depois de lembrar não consigo mais falar sobre política Jesus capitalismo sonhos. Não vejo mais o sol. Agora todo meu dia é a falta de luz. Ah! Mas tem também a lu... A lua vemelha da música, quem entende? Parece coisa assim de Almodóvar. Só pode ser cenário. E eu gosto mesmo é de fazer cena.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Hoje eu vi um desenho e chorei. Mas não sou assim uma pessoa a quem se possa chamar sentimental. Não sou, sabe? Não sou.
Eu queria ser Alice... Eu queria um mundo pra chamar meu. Queria. De gato falando, eu não fazia questão. Nem precisava comer cogumelo pra trocar de tamanho. Só queria um mundo pra chamar de meu. E ele nem precisava ser maravilhoso.
Nonsense. É assim que quereria o meu mundo.
Deixei minhas roupas sujas de molho, mas agora elas estão secas no varal. Então eu vou recolhê-las e colocá-las todas peça por peça, vestido por cima de calça.

Errata

onde lia-se desejo leia-se despejo
não quero mais essa vertigem de vogais - tantos ais - como se fossem consoantes

(Ledusha)

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Eu tenho tanto a dizer que eu calo a ninguém.
Tantas declarações ao dia, ao sol, ao vento.
Eu acho que sopraram minha voz pra longe e ela me levou alguma coisa.